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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

História do trabalho (síntese)


10000 a.C: O Homem vive como caçador-recolector até à Revolução Agrícola há cerca de 12 mil anos. O trabalho é visto como algo pouco digno, daí ser delegado, em grande parte, a escravos. 

315 a.C.: Aristóteles defende que quem tem de trabalhar para ganhar dinheiro é um escravo. Dinheiro e trabalho intelectual são opostos.

1518: Primeiro navio de escravos parte de África para a América, marcando uma nova era, em que milhares de africanos servem de principal fonte de mão de obra nas Américas.

1520: Lutero argumenta que o trabalho pode servir Deus. O protestantismo acabaria por ser decisivo para a valorização do trabalho quotidiano. 

1760: Arranque da Revolução Industrial e, com ela, inovações tecnológicas decisivas - como o motor a vapor - e o trabalho assalariado. Nasce o local de trabalho e o conceito de trabalhador fabril.

1790: Primeiras fábricas têxteis nascem em Rhode Island. A mão de obra era constituída por crianças entre os 7 e os 12 anos. 

1833: No Reino Unido, as crianças até aos 13 anos passam a "só" poder trabalhar 8 horas nas fábricas.

1850: Segunda Revolução Industrial, com rápida industrialização, novos processos aplicados à produção de aço e a forte expansão da comunicação e do transporte.

1886: Depois da explosão de uma bomba durante um protesto por uma jornada de 8 horas, em Chicago, o 1º de Maio é escolhido como o dia para celebrar os trabalhadores.

1911: Um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist, em Nova Iorque, mata 146 trabalhadores, quase todos mulheres, com salários muito baixos. As portas estavam trancadas, para impedir pausas não autorizadas. Foi o contributo decisivo para o crescimento dos sindicatos e do movimento laboral. 

1960: Terceira Revolução Industrial. A ascensão da electrónica, o nascimento dos microprocessadores e maior automação nas fábricas.

1974: É instituído em Portugal o salário mínimo. No ano seguinte, surgiria o subsídio de desemprego.

1989: Tim Berners-Lee inventa a World Wide Web e revoluciona a forma como comunicamos e trabalhamos.

1996: É instituída em Portugal a Lei de 40 horas de trabalho semanal.

2009: É fundada a Uber, na altura com o nome UberCab. Os condutores são vistos como colaboradores da empresa, não como trabalhadores. 

2018: Abre em Seattle a primeira mercearia da Amazon sem trabalhadores na caixa. Basta entrar, colocar os produtos no cesto e sair. 


Breve história do trabalho (excertos), in Visão, nº1332, de 13 a 19/09/2018, pp.44-45. Um dossier, o dedicado pela revista ao trabalho, esta semana, da autoria de Nuno Aguiar.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Da nossa História



Uma obra, O Império Marítimo Português 1415-1825, na qual o historiador (conservador) Charles Boxer contraria as teses de Gilberto Freyre quanto ao luso-tropicalismo: "há uma grande quantidade de provas que contrariam a moderna posição portuguesa de que o Brasil foi um caso em que não houve derramamento de sangue, caracterizado por uma instintiva simpatia e compreensão dos ameríndios, que as outras nações colonizadoras na América, quer se tratasse da Espanha, da Inglaterra, da França ou da Holanda, não possuíam" (p.104). 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

A ciência e a política


A teoria das raças está lá, no nazismo, embora a teoria das raças seja plural: não há uma teoria das raças, há várias. E o nazismo vai buscar a versão mais hierárquica e mais imutável da teoria das raças, que é a de meados do século XIX, com o [Louis] Agassiz, o Samuel Morton, o Josiah Nott, que eram um grupo nos EUA muito ligado aos sulistas, embora o Agassiz trabalhasse em Harvard, estava ligado a este grupo de médicos e de anatomistas do Sul que estavam claramente ao serviço de uma política de perpetuação da escravatura.

Francisco Bethencourt, em entrevista à Ler, p.31

quinta-feira, 16 de julho de 2015

"Ouro doce"



Tão importante o açúcar no séc.XVI ou XVII português que lhe chamavam "ouro doce". E, no entanto, "o doce vai cheio de pecado", conquanto na sua extracção tantos pereciam - nomeadamente, os escravos negros (muitos da Guiné), no Brasil.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Da história pátria: escravatura


Escravos em transporte

O História a história (Domingos, RTP2) foi hoje dedicado ao tema da escravatura em Portugal. Para tal, foi necessário recuar ao século XV, altura em que a actividade principiou em solo português. Centenas de escravos chegam a Lagos, vindos da Guiné. O negócio, de que participa o Infante D.Henrique é altamente lucrativo. Todos os anos chegarão a Portugal cerca de 4 mil escravos. Além disso, portugueses comerciam-nos para outros países europeus e americanos. Curiosamente, com a vinda de escravos, muitas ocupações ficam satisfeitas, em diferentes ofícios, o que resultará em aumento da emigração portuguesa. "Com excepção dos pedintes", observa o historiador (Fernando Rosas), quase não há ninguém, na sociedade portuguesa, que não possua escravos. Para lidar com estes, e em particular para os constranger/punir, são criados um conjunto enorme de artefactos. O tratamento cruel conhece, com efeito, várias modalidades, principiando, desde logo, pelo ferro em brasa cravado - às vezes, mais do que uma vez - na pele do que terá um amo (com o nome deste). À chegada, maridos separados das suas mulheres, filhos apartados de suas mães. Máscaras. Azeite a ferver. Chicotes. Se não há excessivos reparos da Igreja, em Portugal, face a tal prática, serão, contudo, instituições na órbita desta que farão peditórios, ou reunirão instrumentos com vista a alcançar cartas de alforria para que estes homens em servidão deixassem de se encontrar em tal estado. O modo de maior desumanização dos escravos terá sido a prática de criar esquema e locais onde escravos procriassem entre si para de aí resultar força de trabalho alocada onde necessário. Em algumas cidades, os escravos representaram 10% das populações, em períodos do séc.XV ou XVI. Seriam leis do Marquês do Pombal, "proto-abolicionistas" nas palavras de Rosas, que, pretendendo, é certo, encaminhar os escravos para os brasis, objectivamente se tornaram pioneiras no contributo para o fim da escravatura, antecipando, até, o que posteriormente seria realizado com a Revolução Francesa (1789).

terça-feira, 22 de julho de 2014

Olhar que devora, corpo devorado, estátua impotente




Será "Vénus Negra" o "Saló" de Kechiche? (Vasco Câmara). Era exactamente esta a pergunta que (me) fazia enquanto ia seguindo Vénus Negra, uma impressionante história real, coisificação da pessoa, questionadora de todo o olhar que devora, simples estátua para a ciência arrogante, selvagem para o pão e circo de todas as classes sociais. Mandela resgatou-a do esquecimento.