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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Sobre o uso político da palavra "extremistas"


Não há dúvidas de que a palavra extremismo soa mal aos nossos ouvidos, e os governos procuram muitas vezes fazer com que soe ainda pior ao usarem uma outra palavra, terrorismo, na mesma frase em que a primeira aparece. Mas esta primeira palavra não tem um significado claro. Não existe doutrina alguma denominada extremismo. Quando os tiranos falam de extremistas, querem simplesmente referir-se a pessoas que não fazem parte do grande público, cuja definição num dado momento parte dos próprios tiranos. Os dissidentes do século XX, ao oferecerem resistência ao fascismo ou ao comunismo, eram designados extremistas. Os regimes autoritários modernos, como é o caso da Rússia, socorrem-se de leis voltadas para o extremismo para punir aqueles que criticam as suas políticas. Deste modo, o significado da noção de extremismo acaba por aplicar-se praticamente a tudo, salvo o que é, na verdade, extremo: a tirania.

Timothy Snyder, Sobre a tirania. Vinte lições, tradução de Frederico Pedreira, Relógio d'Água, 2017, pp.84-85

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O código de trabalho e a TSU


Alterações às regras de retribuição por trabalho complementar, mudança nas condições de isenção de horário, fim de quatro feriados, diminuição de férias em três dias. Sem falar no aumento de impostos ou de cortes (directos) de salários. Mudanças que segundo o CES, em estudo em que o Prof. Jorge Leite participou, se estima que o impacto do conjunto destas alterações foi igual ou superior ao pretendido com a mudança na TSU. Segundo o relatório do CES, "a efectiva transferência de rendimento, em favor das empresas", atingiu os valores enunciados como objectivos inerentes à Taxa Social Única. Como escreveu, ontem, o Público em editorial: "Um relatório da Universidade de Coimbra fez agora as contas e concluiu que as alterações realmente embarateceram o custo do trabalho, resultando numa transferência de riqueza dos trabalhadores para as empresas de 1,5 a 2,2 mil milhões.
A liberalização das leis do trabalho teve um impacto idêntico à proposta de alterar a TSU. As alterações realmente embarateceram o custo do trabalho, resultando numa transferência de riqueza dos trabalhadores para as empresas de 1,5 a 2,2 mil milhões. É curioso a coincidência dos números; o valor que as empresas pouparam é idêntico àquele que poupariam caso o Governo tivesse avançado com a polémica alteração da TSU em Setembro de 2012. Na altura, os portugueses saíram à rua e a TSU caiu. Mas o Governo, pouco a pouco, foi alterando as leis laborais que acabaram por ter um efeito idêntico para os trabalhadores em termos de perda de rendimento.
E o que se ganhou retirando aos trabalhadores poder de compra, para além daquele que já resultou dos cortes e dos aumentos de impostos? A OIT diz que “o mercado de trabalho não registou qualquer melhoria” com o programa da troika. E a OCDE até diz que em Portugal se trabalha mais horas do que na média europeia".

Já agora: enquanto isto, onde andava António José Seguro e as suas famosas ideias e programa?