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sábado, 18 de março de 2017

O prazer da contestação


Resultado de imagem para Bento XVI riso


Sim, ele está cá, o prazer da contestação, é verdade.

[Bento XVI, questionado por Peter Seewald, sobre a rebeldia como uma das características de personalidade - em episódios desde a escola, até ao treino militar - em si presentes, em Bento XVI.Conversas finais com Peter Seewald, D.Quixote, Lisboa, 2017, p.79]

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Os cientistas e a fé (V)


Einstein (...): «Sim, sou [uma pessoa religiosa],pode dizer isso. Tente penetrar, com os seus recursos limitados, nos segredos da natureza, e descobrirá que, por detrás de todas as concatenações discerníveis, resta algo de subtil, intangível e inexplicável. A veneração dessa força, que está além de tudo o que podemos compreender, é a minha religião. Nessa medida, sou realmente religioso».

in Anselmo Borges, Deus religião (in) felicidade, Gradiva, 2016, pp.52/53

sábado, 12 de abril de 2014

Hoje, mais do que nunca, como dizia o Jardel




Para o Paulo. Que mantém a chama sem tergiversar. Como deve ser.

Não quero a explicação, banal, das vitórias que multiplicam adeptos.
Quero um cachecol, azul forte, azul clássico, azul familiar, tecido à mão e inquebrantável nos que o partilhávamos, cachecol não clean, limpinho e cheio de bordados e inscrições artificiais, tão lindinhos, tão bonitinhos quanto impessoais, quero o cachecol na era pré-marketing, pré-merchandising, e outras palavras tais de que nem fazia ideia, então, existirem, nem, tão-pouco, afinal, o futebol as conhecia.
Quero a imensa alegria de uma bandeira comprada no estádio adversário, após uma vitória arrancada na última fibra de um estofo que permitiu trinta anos de alegrias. Não, não é uma despedida, é um já aí vamos.
Talvez aos quatro ou cinco anos, em Chaves, o miúdo insultado pelo cachecol do Porto, insultado, em simultâneo, com a familiar presença que o também segurava, o miúdo que presenciava uma hostilidade visceral àquelas cores, o vidro do autocarro – ainda modesto – da equipa inapelavelmente partido, ano após ano, naquele local, as redes que separavam a bancada do relvado invadidas de um ódio inconcebível, as cuspidelas na direcção do banco do Porto, o acinte permanente, as portas dos camarotes a estourarem a qualquer falta assinalada ao visitante, enfim, esse miúdo que, contudo, com incontida felicidade (infantil) desfraldava a bandeira na estrada de regresso a casa, era já o adepto fermentado no caldo de cultura que o fazia saber ser portista como uma segunda carapaça, epidérmica ligação, um não sei quê de conexão telúrica aos que vibravam – e vibram – no mesmo sentido. Uma respiração. Com vitórias – no futebol, nunca um excesso, nunca um ornamento, nunca supérfluas e sempre essenciais. Mas com mais do que vitórias.