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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Coreia do Norte (III)


Os tribunais não são necessários para condenar a comunicação formal e informal do Benfica: essa não tem remissão possível. Se o FCPorto e Sporting querem de facto marcar uma diferença, devem começar por aí. A verdade é torcida demasiadas vezes, sob uma cobertura de indignação e seriedade que engana os adeptos próprios mas chega a incomodar os observadores alheios ou neutros, ao ponto de irritar a própria imprensa lisboeta. O director Pedro Santos Guerreiro sublinhava, na semana passada, os desmentidos caluniosos e falsas informações com que várias notícias do "Expresso" foram combatidas. Dias depois e a propósito do hacker, o vice-presidente (e médico) Varandas Fernandes irrompia pelas televisões, questionando, entre outras coisas, a ausência de processos do IPDJ ao Sporting e ao FCPorto pelas "invasões" do centro de treinos de Alcochete e do estágio dos árbitros (Maia, 2017). No primeiro exemplo, mistura alhos com bugalhos, por ignorância ou solicitude; no segundo, fala de um mito inacreditável construído pelo próprio Benfica: a queixa, apresentada pelo árbitro Soares Dias contra os "invasores" da Maia foi arquivada e menciona "dois miúdos" (palavras de Soares Dias) que, das bancadas de livre acesso (invasão?) do estádio, insultaram e ameaçaram alguns juízes que estavam no relvado até saírem pelo próprio pé depois de uma conversa com o mesmo Soares Dias. Desafio o Conselho de Arbitragem e a APAF a desmentirem que foi assim.

José Manuel Ribeiro, director do jornal OJOGO, em OJOGO, 16-09-2018, p.21.

sábado, 5 de agosto de 2017

Odds baixas


Durante os dois jogos da pré-eliminatória da Liga Europa com o AIK de Estocolmo, o S.C. Braga é uma equipa completamente falha de ideias, desorganizada, sem intensidade nem chama. Inferior aos suecos nos dois jogos, não cria uma única oportunidade, mesmo em desvantagem, na Pedreira. Do primeiro jogo, sobrara um empate muito lisonjeiro, depois do adversário desperdiçar inúmeros golos; na segunda mão, um frango monumental permitiu o prolongamento e, neste, o golo surgiu mesmo sobre o gong (embora no único período dos dois jogos, valha a verdade, em que o Braga foi melhor). Esgotar a sorte logo ao primeiro assalto, não costuma ser bom prenúncio. Salvou-se Xadas e o seu pé esquerdo que notáramos no último mundial de sub20, em passes e aberturas de bom recorte. Nas apostas para os primeiros treinadores a serem postos em causa, na época desportiva 2017/2018, a julgar pela amostra, Abel Ferreira que se cuide.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O sistema


Perguntam-me se acho que Antero Henrique sai para voltar. A resposta, creio, está hoje no curto mas muito significativo texto que enviou a OJOGO e publicado na última página do periódico: Antero recusa os elogios a vermelho vindos de encomenda. Assume, pois, na hora de saída, não um ruído de rutura, mas uma melodia ortodoxa, ao encontro do que um adepto ou sócio do FCP considera correcto e adequado. É um posicionamento inteligente, não se expõe nem dá o flanco (sobretudo, a nível interno, que será o que mais lhe interessa), e converge, pois, para uma resposta positiva à questão de um seu eventual regresso ao clube.

É interessante, ainda, observar que Antero Henrique se refere a um artigo escrito por Fernando Guerra em ABola, ontem. Corria a época 2011/2012, André Villas-Boas era técnico do FCP, e aí pela quarta jornada, sentindo-se prejudicado por uma arbitragem em Guimarães, e ficando, de imediato, a 9 pontos do Porto, ainda na aurora da prova, o clube da luz incendeia com comunicados, ameaças, reuniões com todos os órgãos do futebol português, manifestações, pedidos para os adeptos não se deslocarem aos estádios das equipas adversárias (com quem o clube da luz disputaria jogos) o futebol português. Soube-se, então, da equipa de conselheiros chamados de urgência à luz, e que tão eloquentes e extraordinárias medidas sugeriram ao grande líder, entre os quais figuras de proa como José Manuel Delgado, Manuel dos Santos, ou Fernando Guerra. Instado a confirmar, ou desmentir, a sua presença em tão ilustre reunião, F.Guerra escreveu, à época, em ABola que "janto com quem quiser"... 
Os sátrapas que durante os últimos anos fizeram de virgens ofendidas cada vez que se falou de arbitragem, devem pensar que todos somos desmemoriados, tolinhos e comidos por lorpas. Quando hoje, em OJOGO, Antero Henrique se refere ao "histórico" de Guerra é 'só' disto que estamos a falar. Mas o que não faltou por estes dias foram artigos, ou opiniões nesta linha, as lágrimas de crocodilo, os beijos de Judas dos sítios do costume: os mesmos que falavam em comissionistas, em falhanços completos na política desportiva, no departamento de futebol, em interesses inconfessáveis, e coisas que tais, de repente estavam prontos à hagiografia de Antero. Como, sem problemas, erguerão uma estátua a Pinto da Costa logo que vejam que não representa mais perigo (desportivo) nenhum. Afinal, até negoceiam com António Araújo, de quem disseram tudo.

Aliás, para dizer, numa palavra, o que é o sistema (o verdadeiro) no futebol em Portugal, recupere-se, do Domingo passado, o que escreveu o diretor do jornal OJOGO, José Manuel Ribeiro, num retrato exemplar da nossa imprensa desportiva e toda a ecologia do futebol português:

"A arbitragem de Tiago Martins no Sporting-FCPorto é um bom exemplo de como a guerra na comunicação está a ser decisiva. Os mesmos erros ao contrário teriam, no mínimo, acabado com a época de um árbitro sem sombra de andamento para aquele jogo" (p.16)

Bem podem outros jornalistas, como Manuel Queiroz, escrever que "se há coisa em que a Uefa não transige é com os árbitros que não actuem em lances de óbvia utilização indevida dos cotovelos. Tiago Martins é um árbitro internacional feito à pressa e como se viu no Domingo - e em muitos outros Domingos e quarta-feiras - cheio de problemas. Se é com estes que a Federação quer fazer uma outra arbitragem podemos esperar sentados. É difícil arbitrar jogos destes? É! Devem ser escolhidos os que dão provas, não os que sistematicamente mostram que não têm dimensão" (p.16) 

ou adeptos do FCP irromperem da sua tribuna para protestar, como fez Paulo Baldaia:

"Como vivo em Lisboa, passeia a semana a simular cumprimentos com amigos sportinguistas na base das cotoveladas e pé em riste. Apliquei a noção de fair-play (jogo justo) que estava na cabeça do aldrabão do árbitro Tiago Martins (...) O Martins aplicou a lei do unfair-play (jogo injusto). O jogo em que é permitido que uma equipa faça o que quiser e a outra aguente a pancada (...) Com uma arbitragem média, o Sporting tinha acabado com nove e com uma arbitragem exemplar nem oito chegavam ao fim (...) [Tiago Martins] podia, por exemplo, ter aprendido que as regras do futebol não têm nada a ver com as regras do andebol e do kick boxing. Chateia, chateia mesmo, que não queiram conversar sobre o que aconteceu em Alvalade. É desonestidade intelectual querer considerar que é secundário e não teve interferência direta no resultado" (p.4)

ou Carlos Tê:

"O Sporting leu o jogo, tomou o pulso ao árbitro, exerceu sobre ele bullying eficaz (jamais Herrera seria capaz de pressionar o árbitro como Adrien) e ganhou. Jesus sabe que não pode jogar assim na Liga dos Campeões. Mas pôde contra o Porto, naquele contexto, com aquele árbitro. Noutros tempos, o Porto teria reagido em conformidade à intimidação física do Sporting" (p.56)

ou ex-jogadores do clube, hoje treinadores, como Jorge Costa

"...a maior das surpresas, o árbitro (...) [Tiago Martins] não foi pelo menos imune a uma pressão que é vista como normal por parte de quem joga em casa. Aí, o FCPorto perdeu claramente para o Sporting, porque foi prejudicado até dizer chega. As imagens não deixam dúvidas - houve erros, particularmente no campo disciplinar, todos a caírem em cima da mesma equipa e a retirarem-lhe serenidade, bem aproveitada pelos leões, que não tem culpa da passividade de um árbitro, que, ao não punir correctamente os infractores, roubou a tranquilidade a quem estava a ser prejudicado. O que podia ter sido um grande espectáculo de futebol acabou por ser prejudicado pelo mau trabalho de um árbitro (...) houve desigualdade de critérios tal..." (p.14)

Nas televisões, Duarte Gomes, um ex-árbitro habilidoso, inaugurou a categoria de comentadores de arbitragem habilidosos: não houve mão voluntária em nenhum dos golos sportinguistas, houve falta sobre Danilo no livre que dá o golo do FCP, logo não há aqui erros (com influência no resultado). O mesmo indivíduo que uma semana antes interrompeu um telejornal da sic para descortinar um fora de jogo no golo do Setúbal na luz (que nenhum responsável encarnado havia detectado). Note-se: a arbitragem do jogo da Luz, envolvendo o Setúbal, deve ter sido tão escandalosa que justificou que o telejornal tivesse um "especialista" em estúdio para a analisar; por outro lado, enquanto a arbitragem na Luz tinha sido má e com influência no resultado, uma semana depois a de Alvalade teve os 3 lances referidos como principais e todos bem decididos! É esta a "verdade" que querem impôr, mas qualquer aproximação desta à realidade é pura coincidência.
Melhor, num programa da TVI24 dedicado, em exclusivo, a transferências de jogadores, o sr. Rui Brás decidiu começar o programa por analisar a dita arbitragem da Luz. Dado o ineditismo do sucedido em tal programa, a arbitragem foi, seguramente, uma calamidade. Ou então foi a enésima sessão de propaganda, do enésimo comissário, que dos programas da Champions, na RTP, ao encher chouriços da TVI24 enxameiam tudo até à náusea. Dizia um ex-pivot de Os donos da Bola, ainda no activo na sic, um dia destes, que os árbitros que assumem uma cor clubista publicamente tendem a prejudicar esse clube. Disse isto sem se rir. Na época 2011/2012, o FCP sagrar-se-ia campeão na Luz, sem holofotes, mas com rega. O árbitro do jogo foi Duarte Gomes, que fez de tudo para evitar que o campeonato ali ficasse selado. Mesmo tendo ganho, no dia seguinte, o FCP apresentou um vídeo com 16 lances desse jogo em que o Porto havia sido prejudicado. Tiago Martins, com 12 falhanços contra o Porto, só em Alvalade, segundo as redes sociais dos dragões, é um menino.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Um futebolzinho


1.FCP-Roma: Tal como no jogo de apresentação, no Dragão, com o Villarreal, na primeira-mão do play-off da Champions, o FCP actuou com um bloco muito baixo. A ideia (de jogo) parecia (parece) ser beneficiar de uma perda de bola do adversário e correr (loucamente) rumo à baliza adversária. Simples, talvez demasiado. Com um bloco tão baixo, cada vez com bola, faltam 70 metros pela frente aos jogadores do FCP. Creio que isto coloca problemas de vária ordem (ao FCP): a) obriga os jogadores a constantes piscinas, acelerando muito o seu desgaste (físico e mental); b) quando em posse (o que sucederá muitas vezes na liga portuguesa), a equipa parece não ter combinações/dinâmicas preparadas/mecanizadas para irromper pelas defesas contrárias (assim, na segunda parte com a Roma, assim frente ao Estoril); c) os jogadores, cansados, perdem discernimento na hora da finalização (como bem sublinhou Rudolfo Reis, André Silva não pode, continuamente, fazer piques atrás dos laterais adversários e depois encontrar-se em pleno na zona onde mais necessário é; mas o mesmo se diga de um criativo como Octávio, arrasado a meio do jogo com o Estoril, à segunda jornada do campeonato). Ao Porto faltam, aliás, jogadores – como outrora Guarín, ou Hulk – para poderem interpretar este modelo de jogo favorito de Nuno Espírito Santo. Não os tendo, ainda mais penoso é jogar dessa forma. Mais radicalmente, a pergunta que faz sentido é se na direcção desportiva do clube não se ponderou que face a hábitos de posse de bola, mais lógica não teria contratar um técnico que pudesse fazer o modelo de jogo evoluir (Marco Silva), em vez de uma rutura radical, como aquela a que se assiste. Ou ainda, de que modo Oliver, um belo jogador, é um jogador para transições rápidas (como não foi para Simeone).
Por outro lado, ainda, a escolha de Nuno, e as suas afirmações, assumindo (como escudo da SAD) a contratação de Depoitre, ou, mais ainda, a não utilização de Brahimi e Aboubakar – que me parecem decisões muito mais do foro da Administração da SAD – evidenciam bem como se trata de um técnico de baixo perfil, porventura bom para a Direcção, discutivelmente para o clube. Nas conferências de imprensa, marcadas, na primeira década e meia de 2000, pela política e motivação de Mourinho, e as lições de futebol de Jesualdo, NES vai debitando (e desperdiçando) frases vazias, banalidades a rodos, como se as conferências de imprensa não devessem ser momento relevante para mobilizar resultados.
Sendo, para mim, mais relevante o modelo de jogo, ao nível do sistema de jogo este início de época oficial é atravessado por algo que já sublinháramos aqui na pré-época e que este fim-de-semana Vítor Pinto no Record e João Alves na sic notícias corroboraram: com uma equipa a precisar de consolidar dinâmicas de jogo, é extraordinário (e um tanto insólito) que se parta para cada desafio com um esquema táctico diferente.
No Dragão moram adeptos conhecedores do jogo: apenas 36 mil pessoas compareceram no primeiro jogo do campeonato em casa. De resto, alguns haviam estado, como eu estive, no Porto-Roma assistindo, in loco, ao mais impressionante “massacre” futebolístico que o Porto sofreu em casa, desde a inauguração do (novo) estádio: parecia uma equipa amadora (e de facto a pré-época assim foi) frente a um clube Champions (e, com efeito, a Roma promete: grande qualidade técnica, aliada a poderio físico inquestionável; impressionou de sobremaneira; note-se como Spalletti considerou que, mesmo com 10, a sua equipa devia ter feito muito mais, o que dá nota do que pensou do equilíbrio de forças em presença no Porto). Em realidade, a Roma terá gasto cerca de 100 milhões de euros para reforçar a equipa, enquanto o FCP se terá ficado pelos 18 (e durante meia-hora, a Roma foi 5 vezes melhor). Com o disparo dos valores televisivos, com o calcio de novo a aparentar ter mais saúde financeira (por vezes, resultante da venda de clubes a chineses, é certo), os clubes portugueses, e o Porto em particular, tenderão a sofrer uma concorrência muito desnivelada.

2.Vestais. Lembram-se de um senhor, num número repetido, de cabeça perdida, aparecer na RTP, no final do Bayern-slb, para a Champions (2015/2016), com uma bola que, na área bávara, bate em Philippe Lahm, que o jornalista considerou penalty (por assinalar), muito embora diferentes especialistas (p.ex., Pedro Henriques) tenham considerado que não era caso para falta? Pois bem, agora que unanimidade houve em torno do penalty que Juan Jesus cometeu (mão descarada) e ficou por assinalar a favor do FCP, no último minuto da 1ª parte do Dragão, frente à Roma, felizmente nenhum estouvado veio para a televisão anunciar o apocalipse, nem os jornais (da especialidade) fizeram disso primeiras páginas (comparem, ainda, com as manchetes que a seguir ao Barcelona de Ronaldinho ter criado umas 10 ou 11 ocasiões de golo na Luz se fizeram por uma mão de Pujol, na própria área, ao tempo de Koeman treinador). Ainda bem, porque, de facto, editorialmente o que havia a destacar era a superioridade esmagadora da Roma (facto mais importante) e um Porto por cima (mas sem grandes soluções) contra 10. Mas o duplo standard, uma vez mais, ficou bem evidente.
Pior, só a arrogância com pretendem fazer de nós burros: depois de um campeonato ganho ao Porto com sucessivos e ininterruptos escândalos de arbitragens, ainda há duas épocas, as vestais, que juraram, também na última época, nunca criticar um árbitro (e muito menos “pôr em causa a indústria”, o maior dos pecados hodiernos, independentemente da indústria em causa) afadigaram-se sem o menor pudor, perante ausência de registos pelos quais se pudessem queixar (diga lá um lance, diga lá um lance pediam os jornalistas na luz, como se estivéssemos num filme de Nanni Moretti), em, à segunda jornada, virem atirar-se a um árbitro, procurando condicionar este e futuros colegiados. Os jornais da propaganda lá fazem as primeiras páginas passar a mensagem, mostrando o nível de indigência do verdadeiro sistema em que vive o futebol português. Eles não querem arbitragens que não tenham influência no resultado (como foi a de ontem; nem os apaniguados, nos programas televisivos, esconderam o embaraço); eles querem arbitragens que ganhem campeonatos.

P.S.: Devo esta ao Paulo: o árbitro de ontem na Luz vai ser nomeado para a final da taça e, a seguir, despromovido.