Prosseguindo com Fascismo. Um alerta, de Madeleine Albright:
A guerra civil espanhola durou quatro anos e matou mais de meio milhão de pessoas. Do lado dos republicanos, apareceram voluntários de 54 países diferentes - mas as questiúnculas e divisões no meio esquerdista foram um grande problema para um putativo sucesso inalcançado. Também foi solicitado apoio a Estaline. Do lado franquista, o apoio de forças nazis e fascistas italianos. Os combates não foram menos do que selvagens. Sobre Barcelona, incluindo bairros residenciais, edifícios públicos, 1300 mortos de uma assentada. Sobre Guernica, onde se deu um o célebre bombardeamento alemão, culpabilizando-se ainda as vítimas. Os republicanos, por sua vez, não deixaram de fazer cerca de 10 mil vítimas entre bispos, padres, freiras, monges - sendo que a hierarquia católica esteve, sobretudo, ao lado de Franco, ainda que alguns padres fossem contrários e hostis ao poder nacionalista. As forças republicanas renderam-se em 1939 - mas Franco, depois, não aceitou ir para a guerra com Hitler e Mussolini, apesar das pressões e da presença em pessoa do Fuhrer (colocando, nomeadamente, exigências tidas como incomportáveis, como ficar com Marrocos, no que desagradaria ao regime de Vichy que, a concretizar-se, deixaria de ser colaboracionista, segundo os cálculos germânicos).
Hitler teve, à semelhança do caso italiano com Mussolini, os seus rufiões e (no caso) camisas castanhas. Intimidou, espancou e matou com as SA de Rohm. Essenciais para a subida ao poder, mas perigosas para lidar com o establishment. Quando Rohm sugere as SA no lugar do Exército, não só lhe é negada a pretensão, como, daí a nada, está a ser capturado pela Gestapo e morto (por ordem do ex-amigo; daquele que ajudou a fazer ascender ao poder).
Hitler, que conhecia bem as ruas, usou a linguagem e os conteúdos que sabia interessarem à plateia, e que não passavam por argumentos abstractos. Palavras fortes, incendiárias, capazes de captar, a um tempo, a ira e o ódio, e de os gerar. Capaz de dar uma fé que os seguidores não seriam capazes de estruturar, mas da qual careciam. Hitler chega ao poder, tal como Mussolini, não porque tenha ganho uma eleição, mas também não à margem da Constituição. Depois, sim, imediatamente abolirá partidos políticos, acabará com sindicatos, colocará nazis fiéis em todas as estruturas políticas, desde logo municipais. Mentirá sem pejo, e beneficiará da complacência dos que o subestimaram. Juntamente com Mussolini, nele estará presente o ressentimento para com uma sociedade que o não reconheceu, mais o seu génio, durante anos. Será declaradamente bárbaro, imoral, sem qualquer piedade. Anti-comunista bem antes de o partido chegar ao poder, ainda que o vermelho da bandeira nazi aludisse a uma preocupação social (cujo nome terá o termo "socialista" pelo meio e diz representar os "trabalhadores"), acabará com o 1º de Maio, tornando-o feriado pago e a 2 de Maio, ocupando as instalações dos sindicatos em todo o país.