Às tantas, a rebelde filha de Simon Kapita, em Os influentes (uma série sobre política, agências de comunicação e família, que a RTP2 transmitiu), interrogada pelo Eliseu sobre as companhias (muçulmanas) com que se envolvera, diz aos pais que "eles não são terroristas...andam à deriva...e metem-lhes umas coisas na cabeça". De algum modo, a frase fez-me lembrar o que escreveu Orwell, a propósito de um episódio que viveu na guerra civil espanhola, quando um "inimigo", do lado de lá da trincheira, aparece de calças na mão (após resolver as mais elementares necessidades). Orwell e os seus não atiram. "Um fascista com as calças na mão, não é um fascista". O outro, ainda que por um instante, humanizado. Ou, visto a contrario, que construções necessitamos de fazer para não ver no outro um humano e mais fácil ser combatê-lo ou aniquilá-lo. [Mesmo] Todas as guerras justas necessitam dessa conceptualização. [Mesmo que nem todos sejam bons rapazes.Que não são]