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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Os heróis que vão à nossa frente


Para o ano vamos celebrar 500 anos da viagem de circum-navegação. O Fernão de Magalhães saiu do porto com 180 homens. Três anos depois, regressaram 18. Morreram os outros todos pelo caminho para a gente hoje andar de paquete. É como no espaço. Para o espaço só mandamos heróis. A gente só vai saber andar no espaço quando uma mulher der à luz lá, a criança nascer com saúde, a mulher ficar com saúde. Até lá mandamos heróis para aprender. Cada vez que há uma "estrada" nova, a gente mete-se nela, estão lá os perigos e as oportunidades. Passados uns anos, andamos todos nessa estrada. Todos. (...)
Aprendi várias lições na NATO [onde foi director do Programa de Ciência entre 1992 e 2012]. A primeira foi que não há nenhum general que queira ir para a guerra. São os civis que querem. Embaixadores, governantes, etc. A outra coisa que aprendi é que o que está a acontecer agora começou a ser preparado há três anos. É mesmo este tempo. Três anos. A guerra requer tamanha preparação que começa muitos anos antes. Dou-lhe o exemplo da segunda invasão do Iraque. Ninguém pode pensar que numa questão de horas se mandam 400 mil pessoas para 20 quilómetros de distância, tendo de lhes dar seis milhões de litros de água todos os dias, se aquilo não estiver a ser preparado durante dois, três anos. Quando é anunciado é porque já está feito.

Fernando Carvalho Rodrigues, Físico, Professor Catedrático do IST, entrevistado por Filipa Lino para o Jornal de Negócios, Weekend, pp.6-7.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

São melhores do que nós


Justíssima homenagem aos bombeiros:


Miguel ESTEVES CARDOSO, Os Heróis públicos, Público, 04. 09. 2013, 37.

É impossível ir ao mar em Setembro sem pensar nos bombeiros portugueses. Não só nos que morreram e ficaram feridos como em todos os que arriscam a vida.
Não consigo imaginar o que é arriscar a morte para ajudar e salvar os outros: a vida dos outros, a saúde dos outros, as casas dos outros. Todos os bombeiros que morreram e que foram feridos - e todos aqueles que hão-de morrer e ser feridos estariam de boa saúde se tivessem agido como todos os seres humanos e pensado, acima de tudo, na própria segurança. Isto não é egoísmo - é apenas agir segundo os interesses de cada um. É assim que sobrevivemos. A autopreservação está-nos na massa do sangue.
Os bombeiros escolhem lutar, antes de lutarem contra qualquer incêndio, contra o instinto de autopreservação que os defenderia. Para proteger a quase totalidade de cidadãos que segue sensatamente esse mesmo instinto, os bombeiros ultrapassam-no. Ao arriscar a vida, agem irracionalmente: tornam-se altruístas heroicos.
Se não consigo imaginar a generosidade louca dos bombeiros posso recorrer ao testemunho dos próprios bombeiros, sempre perto de nós. O que é inimaginável, incompreensível é a ingratidão do Estado português. E até da população.
Os bombeiros têm de ser tratados e pagos como heróis públicos. Já que arriscam as vidas para salvar as nossas, têm de viver melhor do que nós e com constante reconhecimento.
Mete nojo a nossa psicopática indiferença: elas e eles são melhores do que nós.