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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Ideologias


Os fundamentalistas fecham-se na sua própria identidade e não querem ouvir mais nada. Existe também um fundamentalismo dissimulado na política mundial, pois as ideologias são incapazes de fazer política. Ajudam a pensar - aliás, devemos conhecer as ideologias -, mas não são capazes de fazer política. Já tivemos exemplos suficientes de ideologias que deram origem a sistemas políticos no século passado. E não funcionam. 
O que deve a Igreja fazer, então? Estar de acordo com este e com aquele? Seria uma tentação, restituiria a imagem de uma Igreja imperialista, que não é a Igreja de Jesus Cristo, que não é a Igreja do serviço. (...) A Igreja não deve envolver-se na política partidária. Paulo VI e Pio XI disseram que a política, a grande política, é uma das mais elevadas formas de caridade. Porquê? Porque está orientada para o bem comum de todos.

Papa Francisco, em entrevista a Dominique Wolton, Um futuro de fé, Planeta, 2018, pp.33-35.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Ideologias: "essência" e "história"


Se as leituras "essencialistas" sobre o que é ser de direita ou esquerda não deixam de ser sedutoras, possuir interesse e utilidade - penso em Direita e Esquerda, de Norberto Bobbio, por exemplo -, não deve deixar-se de as confrontar com a evolução histórica que o ser de direita, ou de esquerda sofreu e com a pluralidade de esquerdas e direitas existentes. Não deixa de ser bem curioso pensar, por exemplo, como alguns dos socialistas utópicos não só não eram democratas, como advogavam, mesmo, que a mudança social devia ser feita à margem do - da utilização de um instrumento como o - Estado. A 'revolução', para alguns dos socialistas utópicos, devia passar pela - pelo interior da - comunidade, do trabalho, da "empresa", e afastar-se da acção política tout-court (partidária). Hoje, esta "privatização" da mutação a empreender, esta "despolitização" dificilmente seria conotada com qualquer pensamento à esquerda. A mesma coisa se diga, de resto, de muito do que escreve Antero de Quental, nas Causas da Decadência dos Povos peninsulares: há, com efeito, um dado espírito do tempo, quanto a posições sobre o trabalho, a indústria, o empreendedorismo, a posição sobre os poderes públicos, os autores que influenciam e são citados como mestres, o apoio social requerido ao Estado que dificilmente resistem, como "essência imutável", de um "ser de esquerda".