Os fundamentalistas fecham-se na sua própria identidade e não querem ouvir mais nada. Existe também um fundamentalismo dissimulado na política mundial, pois as ideologias são incapazes de fazer política. Ajudam a pensar - aliás, devemos conhecer as ideologias -, mas não são capazes de fazer política. Já tivemos exemplos suficientes de ideologias que deram origem a sistemas políticos no século passado. E não funcionam.
O que deve a Igreja fazer, então? Estar de acordo com este e com aquele? Seria uma tentação, restituiria a imagem de uma Igreja imperialista, que não é a Igreja de Jesus Cristo, que não é a Igreja do serviço. (...) A Igreja não deve envolver-se na política partidária. Paulo VI e Pio XI disseram que a política, a grande política, é uma das mais elevadas formas de caridade. Porquê? Porque está orientada para o bem comum de todos.
Papa Francisco, em entrevista a Dominique Wolton, Um futuro de fé, Planeta, 2018, pp.33-35.