Mostrar mensagens com a etiqueta lucro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta lucro. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Neoliberalismo (III)


Podemos assim verificar a este propósito como é perniciosa outra palavra de ordem na moda, que sugere que se deve «gerir o Estado como uma empresa». Significa que devemos tratar os seus diferentes serviços apenas na perspectiva da rentabilidade material. Já vimos que esta é apenas uma das vertentes da empresa, sendo a outra os benefícios simbólicos que daí retiram os que nela trabalham. Mas o Estado não é apenas um guiché de serviços, tem um poder simbólico próprio (...) [:] assegura a continuidade no seio de uma sociedade; os homens passam, o Estado fica; é este que pode preocupar-se com o futuro mais distante e com os valores imateriais. Para além das suas funções de regulamentação e de redistribuição, o Estado providencia um quadro à vida comum, que permite situar as nossas acções quotidianas numa relação mútua. Com a melhor vontade do mundo, as agências privadas, às quais o Estado por vezes delega as suas funções de serviço social ou de ajuda no emprego, não podem assumir esse papel simbólico ou dar esse acrescento de sentido. O objectivo do Estado não é a rentabilidade, mas o bem-estar da população. Esta diferença nos fins visados diz tanto respeito às administrações como às instituições, como à escola ou o hospital.

Tzvetan Todorov, Os efeitos do neoliberalismo, in Os inimigos íntimos da democracia, Edições 70, Lisboa, 2017, pp.133-134

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Documentários



Hoje, a RTP2 voltou a passar este documentário intitulado Coca-Cola Case, sobre a morte de sindicalistas na Colômbia e a participação de grandes corporações e governo na situação.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Mais vale um pecador que se arrependa



Tony Blair pediu desculpas, numa entrevista de Fareed Zakaria que hoje a CNN transmitiu, pelo seu papel na Guerra do Iraque. Fosse pela credulidade, chamemos-lhe assim credulamente, nas "provas" arranjadas para justificar a intervenção no Iraque, fosse, como sublinhou o ex-PM britânico, pela saída - das tropas lideradas pelos EUA - do país atacado sem olhar a como este ficaria, sem pensar no que se seguiria. Desmantelou-se um Estado, destruiu-se um país. Morreram centenas de milhares de pessoas. Mais: "alguns elementos de verdade há", diz agora Blair, na alegação de que aquele ataque, na primeira metade da década inicial do século XXI, contribuiu para a formação/ascensão do chamado Estado Islâmico (ISIS). 

Era bom que se lessem e relessem os textos, os comentadores, os vigilantes da opinião que assinaram nos jornais em Portugal nesse momento tenebroso da nossa história recente. Permanecem por aí, como se nada fosse com eles, descendo sobre a pluma cada qual como se fosse Catão, ou como anjos da República. Recordo, em sentido oposto, Diogo Freitas do Amaral: em se juntando, numa descida pela Avenida da Liberdade, a Mário Soares ou a Francisco Louçã, contra a guerra no Iraque, foi apodado de radical, revolucionário e o que mais se sabe. Teve primos que deixaram de lhe falar por causa disso. Atendendo ao que é Portugal, suponho que os primos continuem a achar que lhes assiste razão, e que Freitas é que faz parte do eixo do mal. A realidade é sempre um aborrecimento. Quanto ao Professor, esteve aí ao lado da posição então sustentada, por exemplo, pelo Papa João Paulo II - em Espanha, várias vigílias, em igrejas, contra aquela guerra houve, mas em Portugal disso não tenho memória -, como, de resto, em vários outros momentos defendeu, noutros temas, e atacado com igual virulência, a Doutrina Social da Igreja e aqueles a quem a Igreja promete especial atenção. E, certamente, com esperança aguardará que, tal como Blair, os primos tenham vergonha - que é diferente de fazer de conta que têm vergonha - e façam acto de contradição. Porque lá diz o Evangelho: "haverá mais alegria no Céu por um pecador que se arrepende do que por 99 nove justos que não necessitam de arrependimento".