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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Música concentracionária (IV)



Música de Alexander Tamir, a partir de uma letra do poeta Shmerke Kaczerginski, no gueto de Vilnius.

Shtiler, Shtiler.

Canção de embalar. "A canção é uma espécie de canção de ninar para as “sepulturas” que nasceram após o massacre dos judeus de Vilna em Ponary. No primeiro verso, a mãe pede ao filho que não chore pelo desaparecimento de seu pai porque seus inimigos não entenderiam. No segundo verso, com a chegada da primavera, o filho também é enviado para a morte. O terceiro verso e o final da canção encontram a mãe prometendo a seu filho que o sol brilhará mais uma vez, e a liberdade virá e trará de volta seu pai desaparecido.As canções de ninar foram durante muito tempo um dos gêneros musicais mais populares do ídiche. Faziam parte da tradição do teatro iídiche desde a popular canção de ninar de Abraão Godfadn “Rozhinkes mit mandlen” (Passas e amêndoas), também baseada na canção de embalar popular. A maioria das canções de ninar contava sobre um pai desaparecido, com a mãe acalmando o filho para dormir e contando-lhe dias melhores e um futuro mais brilhante à sua espera.Durante o Holocausto, essa tradição tornou-se terreno fértil para um novo tipo de canção de ninar baseada em melodias populares ou novas, como neste caso. De acordo com uma nota no livro de Kaczerginski, a canção foi executada no gueto de Vilna pelo coro, conduzida por A. Slep, bem como pelos partidários. A música ganhou popularidade entre os sobreviventes do Holocausto, e se tornou uma das músicas mais tocadas nos dias da lembrança do Holocausto." (aqui) 

Música concentracionária (III)




Alexander Kulisiewicz, "Cântico da morte dos judeus".

A partir da recolha e seleção de Francesco Lotoro (para "Música contra o esquecimento")

Música concentracionária



"Zal Tango", de Josef Kropinski. Músico e compositor, foi deportado para Auschwitz e para Buchenwald, onde, no Bloco Patológico, no qual nem sequer todos os nazis podiam entrar, zona onde se dissecavam corpos, e com eles se pretendia experienciar, mesmo perante esse mundo macabro, crê-se que à luz da vela, Josef Kropinski compôs 400 peças, vertendo-as, noite após noite, imperturbável para o minucioso traço em papel. 
O maestro Francesco Lotoro partiu em missão de guardar, recolher toda a música que fosse possível, ainda, encontrar, feita em campos de concentração. Ontem, 27 de Janeiro, Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, a RTP2 passou "Música contra o esquecimento" ("The Maestro", no original, um documentário de 2016), um filme de Alexandre Valenti. Resgatando a memória e, para alguns dos prisioneiros dos campos, o registo de como a arte, neste caso a música, foi, mesmo, determinante para se manterem vivos.