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domingo, 26 de novembro de 2017

Cegueira e cupidez

Resultado de imagem para ganância

A 20 de Março de 2003 começavam os ataques da ofensiva americana a Bagdade ou Operação de Libertação do Iraque. O nome depende da zona do globo onde se vive. Para Luís Barreiros, então embaixador em Bagdade, a guerra libertou os iraquianos de um ditador mas deixou-os num vazio de poder. "Depois da guerra, Bush disse que o mundo estava mais seguro. Não sei de que mundo está a falar", diz, recordando que o Daesh cresceu a seguir ao conflito
Seis dias antes, Portugal tentava ficar na fotografia do lançamento da ofensiva militar. A cimeira dos Açores, organizada por Durão Barroso, juntou José Maria Aznar, Tony Blair, George W.Bush para fazerem a declaração de guerra. Na capital iraquiana, o embaixador era apanhado de surpresa: "Fiquei preocupado porque tive dificuldade em perceber o que Portugal tinha que ver com aquela guerra". Pedi orientações a Lisboa que "não respondeu nada de especial".
Do outro lado do mundo, Pedro Catarino, embaixador em Washington, foi avisado pelo primeiro-ministro. "Durão Barroso não teria sido presidente da Comissão Europeia se não tivesse o relacionamento que tinha com Bush. Era um bom relacionamento. A relação entre a UE e os EUA é fundamental e convinha aos líderes europeus terem um presidente com um bom relacionamento com o Presidente americano".
O pós-guerra provocou um assalto dos empresários à reconstrução. Itália e Espanha foram dos países mais ávidos na corrida, mas vários empresários nacionais também tentaram a sua sorte. "Houve um gabinete em Bagdade criado pelo ministro Martins da Cruz para isso. Na primeira visita foram 10, mas não sei se os negócios se concretizaram", revela Luís Barreiros. O mais conhecido dos investidores era a Sonae Sierra que tentava fazer negócios através de um centro de distribuição que tinha na Síria. 

Carolina Reis, Os nossos olhos pelo mundo, Revista do Expresso, p.40. Expresso nº2352, 25-11-2017

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Do que não pode ser esquecido



Miséria moral e accountability:




A posição do Papa João Paulo II, em Dezembro de 2002

De novo, de forma incisiva, em 2003. (na íntegra, aqui)

E, dirigindo-se, directamente a George W.Bush, J.Paulo II lembrava a posição do VaticanoSenhor Presidente, a sua visita a Roma tem lugar num momento de grande solicitude pela situação permanente de grave agitação no Médio oriente, tanto no Iraque como na Terra Santa. Vossa Excelência conhece a posição inequívoca da Santa Sé a este propósito, expressa em numerosos documentos, através de contactos directos e indirectos, e nos inúmeros esforços diplomáticos que foram realizados, desde que o Senhor Presidente me visitou, primeiro em Castel Gandolfo, a 23 de Julho de 2001, e de novo no Palácio Apostólico em 28 de Maio de 2002. (aqui)

NÃO À GUERRA"! Ela nunca é uma fatalidade. Ela é sempre uma derrota da humanidade. O direito internacional, o diálogo franco, a solidariedade entre os Estados, o exercício tão nobre da diplomacia, são os meios dignos do homem e das nações para resolver as suas contendas. Digo isto pensando em quantos ainda põem a sua confiança na arma nuclear e nos demasiados conflitos que ainda mantêm como reféns, irmãos nossos em humanidade. (...) E que dizer das ameaças de uma guerra que se poderia abater sobre as populações do Iraque, terra dos profetas, populações já extenuadas por mais de doze anos de embargo? A guerra nunca pode ser considerada um meio como outro qualquer, que se pode usar para regular os diferendos entre as Nações. Como recordava a Carta da Organização das Nações Unidas e o Direito Internacional, não podemos recorrer a ela, mesmo quando se trata de garantir o bem comum, a não ser como última possibilidade segundo condições muito rigorosas, sem negligenciar as consequências para as populações civis durante e depois das operações militares. (aqui)