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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

A Igreja face à pedofilia


Os padres católicos representam sensivelmente 2 por cento dos pedófilos. Parece pouco, mas é de mais. Um só padre católico que seja já é horrível, a tolerância é zero! Porque o padre deve conduzir as crianças a Deus, e não destruir-lhes a vida. Até porque depois há as consequências: duas em cada quatro crianças violadas tornam-se violadores. (...)
Antes, transferia-se o padre, mas o problema ia com ele. A política actual é aquela que Bento XVI e eu implementámos através da Comissão para a Tutela dos Menores, fundada há dois anos aqui no Vaticano. Tutela de todos os menores. O objectivo é sensibilizar para o problema que representa. A Igreja-mãe ensina a prevenir, a fazer uma criança falar, a fazer que ela diga a verdade aos pais e conte o que se passa, e por diante. É um caminho construtivo. A Igreja não pode adoptar uma posição defensiva. Se um padre é abusador, então é uma pessoa doente. Em cada quatro abusadores, dois sofreram abusos em criança. São as estatísticas dos psiquiatras.
Mas é esta a forma de a Igreja tentar proteger as crianças.

Papa Francisco, entrevistado por Dominique Wolton, em Um futuro de fé, Planeta, 2018, pp.168-169.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Links


*Algoritmos e ética, do Prof.Arlindo Oliveira





*Baixas "fraudulentas"? A primeira notícia conveniente tinha por título: “Mais de metade das baixas na Educação foram fraudulentas”. Teve origem em dados divulgados pela Comissão Europeia, relativos a cerca de 3000 doentes, que juntas médicas mandaram regressar ao trabalho. Fraudulentas? Se uma junta delibera em desacordo com o médico que segue o doente, trata-se de uma fraude? Saberão os autores da notícia que a maioria dos médicos que integram as juntas são tarefeiros, cuja contratação arbitrária pela Segurança Social deixa legítimas reservas sobre o seu grau de autonomia? Que se guiam por tabelas de duração média das doenças? Tendo as depressões o peso que têm na classe docente, poderá uma pronúncia de escassos minutos derrogar o parecer de um psiquiatra, fundamentado em horas de consultas, ao longo de meses? À memória veio-me o caso escabroso do funcionamento de uma junta, que testemunhei, onde o mais inocente do processo foi o relatório final ser assinado por alguém que nem sequer esteve presente naquele acto médico. À memória vieram-me mais casos. De Manuela Estanqueiro, doente de leucemia, em estado terminal, mandada regressar às aulas na EB 2/3 de Cacia, por uma junta médica. Morreu um mês depois, em sofrimento atroz, para não ser despedida por faltas injustificadas. De Artur Dias, professor na Escola Secundária Alberto Sampaio, de Braga, vítima de um cancro na garganta, que uma junta médica mandou regressar às aulas, apesar de não ter laringe. Morreu três meses depois. De Manuela Jácome, professora de Faro, doente oncológica que, apesar de não ter um quarto do estômago, vesícula, baço, duodeno e parte do intestino, foi considerada, por uma junta médica, apta para dar aulas. (do Prof. Santana Castilho, hoje no Público)

*Salários de professores:  Por fim, a terceira notícia conveniente foi o dilúvio de mentiras que a divulgação do relatório Education at a Glance proporcionou. Dólares, euros e paridades de poder de compra foram alegremente misturados, atirados ao ar e caíram onde calhou, para serem traduzidos em letras de imprensa e sons de rádio e televisão. Por negligência ou pura malícia, mas sem que uma só voz soprasse dos lados do Ministério da Educação para repor a verdade e defender os professores, miseravelmente enxovalhados. O relatório coloca os salários dos professores portugueses no topo da carreira acima da média da OCDE. Mas os números apresentados são muito superiores aos reais e não têm em conta os anos em que as carreiras estiveram congeladas. Situação que determina que não há no activo um só professor no último escalão, o 10º. E quanto teria de vencimento líquido esse hipotético professor (não casado, sem dependentes), depois de um mínimo de 36 anos de serviço? Uns milionários 1989,70 euros. O relatório situa um professor com 15 anos de carreira no 4º escalão. Mas porque durante 9 anos, 4 meses e 2 dias as carreiras estiveram congeladas, ele está, de facto, no 1º escalão, com o invejável salário líquido de 1130,37 euros. Durante os tempos negros da austeridade, relatórios deste tipo lograram pôr escravos pobres, modernos, contra pobres escravos, antigos. António Costa disse-nos que a austeridade acabou. Mas os relatórios e os seus efeitos continuam. (Santana Castilho, Público)

*Sobre a pedofiliaComo penso que sobre qualquer matéria, tanto quanto possível, se deve procurar chegar o mais próximo possível da verdade das coisas, mesmo quando possam estar mais afastadas de concepções dominantes, ou que tenhamos sobre as mesmas matérias, aqui fica o texto, de há 3 dias, no Público, acerca da pedofilia e do que se está a fazer na Alemanha, a propósito de uma conferência organizada pela Faculdade de Medicina do Porto: https://www.publico.pt/2018/09/15/sociedade/noticia/como-evitar-que-um-pedofilo-se-transforme-num-abusador-1844107

O texto diz coisas que me parecem importantes (em havendo consenso científico) sobre este âmbito: 

a) a OMS considera a pedofilia uma doença;
b) "a pedofilia não é uma escolha, é um destino";
c) a pedofilia não tem cura;
d) a pedofilia não conduz, necessariamente, a abusos sexuais;
e) o sujeito com essa orientação sexual não está (pré)"determinado" a abusar sexualmente de crianças;
f) assim sendo, havendo esse abuso há culpa, porque houve liberdade;
g) não sendo a doença curável, é possível prevenir, tomar medicação, ter terapia para evitar a consumação da filia em abuso sexual;
h) há 1% da população com semelhante orientação

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Bárbaros



Passou esta semana no Doc3, da RTP, um documentário (de 2010), intitulado "Os bailarinos do Afeganistão" (pode ver aqui). Nele se denuncia como uma prática tradicional (bárbara), o Bacha bazi, rejuvenesceu naquele país com a queda dos talibãs e a vitória dos senhores do Norte: com as mulheres embutidas em burkas, envoltas em ilimitados panos, são recrutados crianças/adolescentes para, vestindo-se de mulheres, dançarem para outros homens. Danças que surgem, claramente, como eufemismo de pedofilia, escravatura sexual, proibida (o bacha bazi) por lei, mas tolerada na prática, prosseguida, inclusive, por agentes de autoridade. Ter uns adolescentes como coutada é motivo de distinção social, de honra no Afeganistão da segunda década de 2000. Generais, barões da droga, poderosos de diferente índole aproveitam-se da pobreza que povoa o território e recrutam rapazes, a troco de algumas migalhas à família, para dançarem para si e amigos. Uma dança escondida da família de origem, que de resto de bom grado tapa ouvidos e olhos. A pobreza extrema não consente olhos e ouvidos. Uma dança escondida dos amigos, envergonhada. Uma dança perpetuada por quem é abusado e pretende abusar depois. O documentário fala em "donos". Não menos que "donos" de crianças, objectos sexuais de quem se dispõe como se entende. E em desobedecendo os rapazes, a morte é um destino real (e confirmado). Bárbaros. Absolutamente bárbaros.