Os padres católicos representam sensivelmente 2 por cento dos pedófilos. Parece pouco, mas é de mais. Um só padre católico que seja já é horrível, a tolerância é zero! Porque o padre deve conduzir as crianças a Deus, e não destruir-lhes a vida. Até porque depois há as consequências: duas em cada quatro crianças violadas tornam-se violadores. (...)
Antes, transferia-se o padre, mas o problema ia com ele. A política actual é aquela que Bento XVI e eu implementámos através da Comissão para a Tutela dos Menores, fundada há dois anos aqui no Vaticano. Tutela de todos os menores. O objectivo é sensibilizar para o problema que representa. A Igreja-mãe ensina a prevenir, a fazer uma criança falar, a fazer que ela diga a verdade aos pais e conte o que se passa, e por diante. É um caminho construtivo. A Igreja não pode adoptar uma posição defensiva. Se um padre é abusador, então é uma pessoa doente. Em cada quatro abusadores, dois sofreram abusos em criança. São as estatísticas dos psiquiatras.
Mas é esta a forma de a Igreja tentar proteger as crianças.
Papa Francisco, entrevistado por Dominique Wolton, em Um futuro de fé, Planeta, 2018, pp.168-169.