Há uma frase que eu disse, e que as crianças migrantes traziam nas suas T-shirts: «Não sou um perigo, estou em perigo». A nossa teologia é uma teologia de migrantes. É o que somos todos desde o chamamento de Abraão, com todas as migrações do povo de Israel. O próprio Jesus foi um refugiado, um imigrante. E, existencialmente, segundo a fé somos migrantes. A dignidade humana implica necessariamente «estar a caminho». Quando um homem ou uma mulher não está a caminho, é uma múmia, uma espécie de museu. A pessoa não está viva.
Papa Francisco, em entrevista a Dominique Wolton, sociólogo e intelectual francês, director de investigação no Centre National de la Recherche Scientifique, num conjunto de 12 conversas, recolhidas sob o título Um futuro de fé, Planeta, 2018, p.26.