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terça-feira, 14 de maio de 2019

CORRUPÇÃO, DOLO (II)


Como me dizia ontem um colega mais sábio do que eu, à penúltima jornada, transformar um golo do pré-campeão Benfica num penalty para o Rio Ave seria um suicídio de carreira e a certeza de um resto de vida cheio de chatices. 
Pois que morra antes o futebol.

José Manuel Ribeiro, diretor de OJogo, OJogo, 13-05-2019, p.48.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Melhor era impossível


Toda a verdade (e também toda a mentira) sobre o processo e-Toupeira

Quando um advogado moribundo pede a Bíblia, dia a anedota que não é por se ter convertido, é para procurar brechas nas leis sagradas, em busca da salvação. E se um advogado arguto, digo eu, é capaz de encontrar umas tantas brechas numa acusação do Ministério Público, três advogados ainda mais argutos encontram muitas mais, ao ponto de serem capazes de sacudir nada menos do que 30 acusações. 
Já estão a ver onde o cronista quer chegar? Sim, quer chegar à estranha ilibação da Sad do Benfica no processo e-Toupeira, mais um daqueles casos em que ganharam os mais dotados tecnicamente, não os que estavam do lado da verdade. 
Também aqueles três craques do Direito (e até do menos direito, depende de quem lhes paga) que o Benfica contratou procuraram - e encontraram - a solução para este caso na leitura da Bíblia, mas exactamente naquela parte em que Arão, o sumo sacerdote, coloca as mãos sobre a cabeça do bode expiatório e confessa os pecados do povo, transferindo simbolicamente esses pecados para o animal, que, depois, é solto no deserto, levando para longe todas as iniquidades dos homens (Levítico 16: 21-22). 
Paulo Gonçalves, que até já tinha sido abandonado no deserto, estava mesmo a pedir o papel do bode que absorve e expurga os pecados dos outros. E a crente juíza validou a encenação ao concluir que "os crimes que lhe estão imputados nada têm a ver como o prosseguimento dos interesses do Benfica". Ficámos a saber que vasculhar o segredo de processos em que o clube é o principal acusado ou saber antecipadamente de uma busca da Judiciária, por exemplo, era apenas do seu interesse. O pessoal da SAD, na sua infinita inocência, desconhecia tudo. Ora, aí está uma verdade judicial tão credível como a de que Vale e Azevedo vivia de 400 euros mensais e do cultivo da sua horta. Acreditar nela é como acreditar na história da laranjinha. Dizia ao juíz o réu, acusado de homicídio violento, à navalhada: "Eu estava, muito sossegado, a descascar a minha laranjinha, com uma navalha, quando ele apareceu e...". 
O futebol é um mundo à parte, de gente enlouquecida pelas paixões, que não pode ser equiparada ao resto da vida; e o resto da vida, sobretudo a justiça, não sabe como lidar com ele.
Corrupção, coação, tráfico de influências são crimes severamente punidos no contexto social; no futebol, que não deixa de ser um jogo, perdem espessura e gravidade. E que mal faz ao mundo, à vida real, que seja o Benfica, e não o Porto ou o Sporting, a ganhar, mesmo indevidamente, um ou outro campeonato? Daí que não tenha sido difícil impor como verdade uma mentira daquele tamanho. É tão óbvio que Paulo Gonçalves agia com o conhecimento e a cumplicidade da SAD do clube, tal como, de resto, foi trinta vezes dito pelo Ministério Público que a única conclusão a retirar desta incompreensível decisão judicial é a de que o Benfica, ao contrário do que aconteceu com a equipa de futebol, acertou em cheio nos reforços para a equipa jurídica. 
Como disse, um dia, o poeta americano Robert Frost, um juíz é aquela pessoa que decide quem tem o melhor advogado.

Álvaro Magalhães, OJOGO,  30-12-2018, p.56.

domingo, 8 de abril de 2018

QUADRILHA



Em eleições brasileiras que já lá vão - porque agora é muito diferente - um dos slogans era "corrupção, sim, mas só 30%". Há muito que o futebol português usa ratings bem menos exigentes. O terceiro-mundismo daquilo a que chamam futebol português é bem exemplificado, imagem que correu o planeta há um ano, por um indivíduo, a quem chamam árbitro, ter atropelado um jogador do FCP durante um jogo, ainda o ter expulso por cima para ele aprender, e o fulano ter-se mantido em funções arbitrais - se conseguir, sorria - perante o anedotário mundial (que viu a referida vítima de abalroamento ser castigada por mais uns jogos), enquanto, por exemplo, um árbitro, em França, em se atrevendo a idênticas façanhas, já esta época, viu-se suspenso 5 meses e obrigado a vir publicamente retratar-se. Bárbaros, esses gauleses. Esse benemérito indígena, voltou, para espanto dos ingénuos, a Braga, há uma semana, e a Setúbal, esta noite, para mostrar que está de perfeita saúde e se recomenda. A escolha ideal para jogos sem importância.
Por cá, festejam o ascendente sobre juízes, funcionários judiciais, delegados da Liga, ex-delegados, observadores de árbitros, classificadores de árbitros, árbitros, nomeadores, conselhos de disciplina, jornais, jornalistas, comentadores, canais de televisão e, pleonasmo, acompanhantes de luxo. Não podem festejar mais nada - porque mal a toupeirada sai de Badajoz é sovada com afinco por mais plebeu que se apresente o freguês (o Basileia, quem?!).  É o último tabu do país, esse grupo organizado, porque confunde-se com ele. Com o pior dos piores que nele há.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

A anedota do dia



A anedota mais contada hoje pelo país: é mais fácil expulsar 1000 miúdos de um hotel em Espanha, do que um jogador do benfica.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Do que não pode ser esquecido



Miséria moral e accountability:




A posição do Papa João Paulo II, em Dezembro de 2002

De novo, de forma incisiva, em 2003. (na íntegra, aqui)

E, dirigindo-se, directamente a George W.Bush, J.Paulo II lembrava a posição do VaticanoSenhor Presidente, a sua visita a Roma tem lugar num momento de grande solicitude pela situação permanente de grave agitação no Médio oriente, tanto no Iraque como na Terra Santa. Vossa Excelência conhece a posição inequívoca da Santa Sé a este propósito, expressa em numerosos documentos, através de contactos directos e indirectos, e nos inúmeros esforços diplomáticos que foram realizados, desde que o Senhor Presidente me visitou, primeiro em Castel Gandolfo, a 23 de Julho de 2001, e de novo no Palácio Apostólico em 28 de Maio de 2002. (aqui)

NÃO À GUERRA"! Ela nunca é uma fatalidade. Ela é sempre uma derrota da humanidade. O direito internacional, o diálogo franco, a solidariedade entre os Estados, o exercício tão nobre da diplomacia, são os meios dignos do homem e das nações para resolver as suas contendas. Digo isto pensando em quantos ainda põem a sua confiança na arma nuclear e nos demasiados conflitos que ainda mantêm como reféns, irmãos nossos em humanidade. (...) E que dizer das ameaças de uma guerra que se poderia abater sobre as populações do Iraque, terra dos profetas, populações já extenuadas por mais de doze anos de embargo? A guerra nunca pode ser considerada um meio como outro qualquer, que se pode usar para regular os diferendos entre as Nações. Como recordava a Carta da Organização das Nações Unidas e o Direito Internacional, não podemos recorrer a ela, mesmo quando se trata de garantir o bem comum, a não ser como última possibilidade segundo condições muito rigorosas, sem negligenciar as consequências para as populações civis durante e depois das operações militares. (aqui)

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Falsos


Jorge Ferreira está transformado em novo caso patológico da arbitragem portuguesa. Em todos os jogos em que participa, já sabemos ao que vem. Já sabemos quem ganha, já sabemos quem perde. A nomeação para Paços de Ferreira é, apenas, o mais recente insulto à inteligência, de quem não tem a menor consideração, escrúpulo ou respeito pela verdade do jogo. Inqualificável.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Mais vale um pecador que se arrependa



Tony Blair pediu desculpas, numa entrevista de Fareed Zakaria que hoje a CNN transmitiu, pelo seu papel na Guerra do Iraque. Fosse pela credulidade, chamemos-lhe assim credulamente, nas "provas" arranjadas para justificar a intervenção no Iraque, fosse, como sublinhou o ex-PM britânico, pela saída - das tropas lideradas pelos EUA - do país atacado sem olhar a como este ficaria, sem pensar no que se seguiria. Desmantelou-se um Estado, destruiu-se um país. Morreram centenas de milhares de pessoas. Mais: "alguns elementos de verdade há", diz agora Blair, na alegação de que aquele ataque, na primeira metade da década inicial do século XXI, contribuiu para a formação/ascensão do chamado Estado Islâmico (ISIS). 

Era bom que se lessem e relessem os textos, os comentadores, os vigilantes da opinião que assinaram nos jornais em Portugal nesse momento tenebroso da nossa história recente. Permanecem por aí, como se nada fosse com eles, descendo sobre a pluma cada qual como se fosse Catão, ou como anjos da República. Recordo, em sentido oposto, Diogo Freitas do Amaral: em se juntando, numa descida pela Avenida da Liberdade, a Mário Soares ou a Francisco Louçã, contra a guerra no Iraque, foi apodado de radical, revolucionário e o que mais se sabe. Teve primos que deixaram de lhe falar por causa disso. Atendendo ao que é Portugal, suponho que os primos continuem a achar que lhes assiste razão, e que Freitas é que faz parte do eixo do mal. A realidade é sempre um aborrecimento. Quanto ao Professor, esteve aí ao lado da posição então sustentada, por exemplo, pelo Papa João Paulo II - em Espanha, várias vigílias, em igrejas, contra aquela guerra houve, mas em Portugal disso não tenho memória -, como, de resto, em vários outros momentos defendeu, noutros temas, e atacado com igual virulência, a Doutrina Social da Igreja e aqueles a quem a Igreja promete especial atenção. E, certamente, com esperança aguardará que, tal como Blair, os primos tenham vergonha - que é diferente de fazer de conta que têm vergonha - e façam acto de contradição. Porque lá diz o Evangelho: "haverá mais alegria no Céu por um pecador que se arrepende do que por 99 nove justos que não necessitam de arrependimento".

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Papelão (II)




P. ¿Intentaron colaborar con otros países endeudados?
R. No, porque dejaron muy claro desde el principio que era nuestros peores enemigos, sobre todo si lográbamos un acuerdo más favorable para Grecia que les dejara en mal lugar ante sus propios ciudadanos.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

As coisas são o que são


E a letra da lei é muito clara - ao contrário do famoso "legislador" que usou a chamada "técnica da meia-dose" para deixar clareiras de ambiguidade interpretativa - no sentido de não permitir a existência, na prática, de uma profissão que não existe, a de presidente de câmara ou de junta de freguesia. À boa maneira portuguesa da esperteza saloia, pretende-se que nada impeça que floresçam aqui e ali pequenos salazarinhos autárquicos que saltitem, alegre e eternamente, de câmara em câmara sem limites temporais como, por exemplo, os impostos ao PR. Um módico de ética e de bom senso políticos, aliás, bastaria para que as criaturas percebessem o que deve ser a contingência do exercício de funções públicas eleitas. Uma dessas criaturas, sem se rir, até se louvou no Presidente para dizer que este "destruiu" argumentos contra a sua candidatura o que diz tudo do propósito que o anima: não interessa o conteúdo (no caso, pequenino) mas a forma que o "salva". Mais coisas que são o que são.
 
João Gonçalves, no Portugal dos pequeninos, 23/02/13.
 
 
P.S.: Ler jotas, em jornais - até locais - a defender a interpretação da lei de modo a permitir tranferências de presidentes de câmara entre diferentes municípios, findos os três mandatos, achando que faz sentido uma pessoa eternizar-se no poder 30 ou 40 anos, mostra bem o ponto a que chegámos e do qual, se forem estas as gerações que se sucedem em alguns partidos, não sairemos.