"Ninguém escolhe o país em que nasce: mas decidir ficar é um acto de amor. E de vontade de reinventar novos futuros", Adriano Moreira, 'Da Utopia à fronteira da pobreza'
Durante o encontro de Leigos, este fim de semana, em Viseu:
"François Huguenin disse que o que Jesus fala e que diz respeito da entrada no Reino “cai no domínio político”, porque remete para “a justiça social, o acolhimento ao mais fraco, o respeito pela pessoa humana, a fraternidade ou a solidariedade”."
"Referindo, como exemplo, a questão do acolhimento dos refugiados, o historiador disse que é impossível recusá-lo “por princípio” “salvo recusando ser cristão”."
Muitas vezes, acabamos por utilizar expressões sem conhecer a história das mesmas, ou o porquê de uma dada designação. Aconteceu-me com o Tio Sam e só há dias me apercebi, quando um miúdo me perguntou pelo significado da expressão. Uma pesquisa pela net:
Nas palavras de um grande contemporâneo de Aron, «o termo civilização designa simultaneamente o processo de converter um homem num cidadão, e não um escravo; um habitante de cidades, e não um rústico; um amante da paz, e não da guerra; um ser polido, e não um rufia»; trata-se do «cultivo consciente da humanidade, quer dizer, o que faz de um ser humano um ser humano». Civilização é essencialmente o «cultivo consciente da razão». Portanto, «os pilares gémeos da civilização são a razão teorética e prática, ou a «ciência» e a «moral» [Leo Strauss].
Miguel Morgado, O conservadorismo do futuro e outros ensaios, 2017, pp.237-238
Em primeiro lugar, não foi Montesquieu quem inventou a separação de poderes. A discussão precedeu Do Espírito das Leis, uns bons cem anos, sobretudo em Inglaterra. (...) A ascensão do administrativo ilustra bem os problemas com que a doutrina da separação de poderes acabaria por se defrontar. (...) A filosofia política tarda em enquadrar de modo coerente e sistemático esta tremenda inovação nos últimos 150 anos. Foi a solução política e institucional que emergiu para dar conta da assunção cada vez maior de tarefas pelo Estado. Encarregou-se o Estado de fazer mais coisas, muito mais coisas, do que era o caso no final do séc.XVIII. E essas inúmeras tarefas novas não podiam ser levadas a cabo dependendo apenas dos três poderes do cânone. [e para além do Estado Administrativo, surgiria o Estado Regulador]
Miguel Morgado, O conservadorismo do futuro e outros ensaios, 2017, pp. 228-233
Quando a crise financeira de 2008 estoirou, a Fed, liderada por Ben Bernanke, tomou acções extraordinárias. Cortou as taxas de juro para zero e "imprimiu dinheiro" em larga escala - não literalmente, mas comprando biliões de dólares de obrigações.
Muitos conservadores ficaram irritados. Comentadores televisivos hiperventilaram sobre inflação e vozes, aparentemente respeitáveis, denunciaram as acções da Fed. Em 2010, um "Who's who" de economistas conservadores publicou uma carta aberta a avisar que as políticas da Fed causariam inflação e "rebaixaram o dólar". Mas nunca aconteceu. (...) Quatro anos após aquela carta aberta a Bernanke, a Bloomberg abordou muitos dos signatários e perguntou-lhes o que haviam aprendido. Nenhum deles - nem um - admitiu sequer que se tinham enganado. O que acontece aos economistas que nunca admitem erros e não mudam as suas opiniões à luz da experiência? A resposta, aparentemente, é que entram na lista de finalistas para ser o próximo presidente da Fed.
Paul Krugman, A doutrina da infalibilidade Trumpal, Visão, 16 de Novembro 2017, p.34
Tomo nota que um conjunto de quadros - sociólogos, juristas, psicólogos nacionais e estrangeiros - subscrevem, em Uma família parental, duas casas que a residência alternada (Sílabo, 2017), relativamente à guarda da criança, em casais que se separam, de acordo com uma acervo de estudos que mobilizam, seria/será o que mais convém aos infantes. E isto, porque, explica Sofia Marinho à Visão, as actuais decisões sobre estas matérias são "pouco informadas, assentes em estereótipos de género e das relações familiares", privando "as crianças de igual envolvimento da mãe e do pai no seu dia a dia. A residência alternada não está prevista na lei, mas os subscritores deste livro ora lançado, entendem que devia ser a regra. "Idealmente, a criança deve residir alternadamente com a mãe e com o pai entre 33 e 50% do tempo durante o mês, para beneficiar do envolvimento pleno de ambos em todos os domínios da sua vida. (...) Os resultados de estudos internacionais representativos mostram que (...): menores que viviam, desde cedo, em regime de residência alternada tinham melhores indicadores de bem-estar emocional do que as que cresciam com o modelo de residência única".
Se, não raramente, o senso comum, nestas matérias talvez nos indicasse o possível problema de regras duplas, de falta de coerência educativa, de um projecto que mesmo que partilhado em termos teóricos iria ter concretizações muito diversas em casas distintas, etc., o que este conjunto de interessados nestas matérias nos vêem dizer é que nem sempre o senso comum é bom senso, e/ou que os ganhos da inovação pretendida superarão os constrangimentos a ela potencialmente associados.
Enquanto se espera que haja interlocutores qualificados neste domínio, fica, pois, esta tomada de posição que significaria uma considerável mudança na conformação das situações de responsabilidade parental a ela inerentes.
No Brasil, ou na Grécia, o Ensino Superior não consegue absorver sequer 1/5 dos alunos que concluem o Secundário e querem ir para a universidade pelo que a pressão dos exames é tremenda; na Coreia do Sul, os exames nacionais são uma Instituição, a Administração Pública fecha e os alunos que se atrasam têm direito a escolta policial para o exame. Os aviões têm a sua frequência reduzida para não fazerem barulho para os alunos.
Fazemos exames para que se consiga tirar pelo menos 10 em 20 valores. Mas podíamos exigir 12, 14 ou 7: depende do que queiramos que os alunos saibam.
Na Finlândia, só há exames no final do Secundário e tem sido passado a ser administrado online: computadores ligados fisicamente por cabo ao servidor da escola ligado ao Ministério da Educação e os alunos recebem o enunciado, respondem, copy paste, processador de texto e enviam para o Ministério da Educação. Os exames não são mais os mesmos: por exemplo, os exames de ciências sociais, ou História, incluem vídeos, a Matemática há uma série de outras ferramentas disponíveis para os alunos.
Em Singapura, no final do Secundário, os exames são produzidos por Cambridge e têm reconhecimento internacional desses exames/diplomas. Singapura indica os conteúdos, o que pretende examinar, mas são produzidos por Cambridge.
Nos últimos 250 anos, apenas a partir de aí, surgiram os exames de aferição. A Irlanda tem um sistema de exames de aferição muito interessante. O Canadá tem dos exames de aferição mais precoces no mundo: logo no final do jardim de infância. Provas voluntárias para ajudar os pais a decidir o melhor percurso para as crianças. Em Singapura, numa sociedade multicultural e multilingue, os alunos vão para turmas especiais, logo no 1º ano do ensino básico.
Em França não há numerusclausus para o ensino superior. Mas em Janeiro os alunos começam a inscrever-se e a serem distribuídos da melhor forma. Para Medicina e Informática, há sorteio.
Na Holanda, existem 400 provas escritas e 200 on line para acomodar todas as vias possíveis.