terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Custos no ensino superior


16 mil alunos viram as suas candidaturas a uma bolsa recusadas, este ano: "fontes da área denunciam que há uma enorme franja de estudantes que ficam sem apoios por uma curta margem. E os critérios para atribuição de bolsas confirmam essa tese, ao mostrarem que uma família em que os pais têm, em média, um salário bruto de 900 euros pode ficar já sem qualquer tipo de ajuda social". Um estudo da Universidade de Lisboa "Custos dos estudantes do ensino superior português", publicado a meio de 2018, com dados do ano letivo 2015-2016, mostra que as propinas em Portugal estão ao mesmo nível do alojamento no topo dos custos de um aluno de uma faculdade ou politécnico: "qualquer que fosse o tipo de ensino frequentado, a despesa mais representativa foi a do grupo das propinas (que variou entre um peso de 15,3% no ensino politécnico público e um peso máximo no politécnico privado, de 39,8%). Os estudantes gastaram um valor médio anual próximo dos 6446 euros. (DN, 19-01-2019, pp.24-25)

P.S.: cf. artigo do Prof. Aguiar-Conraria, no Público. (no qual os números apresentados quanto ao peso relativo das propinas, no conjunto das despesas dos alunos do ensino superior, em Portugal, eram bem diversos deste; naturalmente, estudos diversos não chegam, exactamente, à mesma conclusão). 

Novos contextos


Como proteger os jurados das informações - verdadeiras ou falsas - e dos comentários [sobre o caso em decisão, e publicados ao minuto] a que poderiam aceder com um toque no smartphone? Deveriam os «dispositivos habilitados para internet» ser banidos da sala de audiências ou da sala do júri? Deverá haver um novo delito de procura de material alheio? (p.342) Questões colocadas por Timothy Garton Ash, em Liberdade de Expressão. Dez princípios para um mundo interligado (2017).


P.S.: na sequência de 12 homens em fúria [ver aqui], chamado a procurar esclarecer o regime jurídico do tribunal de júri em Portugal, percebendo da sua escassa frequência entre nós (sem comparação com o registo anglo-saxónico), de tal forma que, se bem vi, permanecem anacronismos como a referência a incompatibilidades entre ser jurado e ser dirigente da Região de Macau (DL de 1987), ou, inclusive, a idade limite para se ser jurado (plasmada na lei quando a esperança média de vida era muito diversa da de hoje), ou para a escolaridade obrigatória (requisito que, podendo fazer sentido, tem um significado em 2019 igualmente bem diferente do de finais dos anos 80). Mas, sobretudo, com certeza tal tribunal é tão poucas vezes requerido que parece que tão pouco as novas questões emergentes do mundo tecnológico, como acima exemplificadas, são equacionadas. Garton Ash, além dos exemplos apontados como novas questões a ponderar, releva o caso, da segunda década dos anos 2000, em que um jurado, na Grã-Bretanha, foi condenado por desrespeito ao tribunal pelos comentários no twitter ao caso de pedofilia que estava a analisar (sendo que, neste caso concreto, a proibição de produção de comentários públicos sobre o processo, da nossa legislação, poderia, mesmo com a actual redacção, punir uma situação análoga).

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Fosso/clivagem de informação


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Acho que tudo isto vai criar uma clivagem entre os produtos jornalísticos baseados na tradição e os produtos de qualidade superior, feitos no respeito da ética, que estão disponíveis para quem estiver disposto a pagar, e tiver dinheiro para isso, e tiver interesse pela informação.  (...) O resto das pessoas ou não tem meios ou não está interessado num jornalismo de qualidade, e há muita gente que vai passar a consumir cada vez mais um jornalismo de terceira categoria, e a clivagem vai tornar-se cada vez maior. (...) Os historiadores dos media diriam que uma das maneiras de encarar esta viragem é não a considerar como um universo radicalmente novo, mas sim como a continuação do que o jornalismo era dantes. O digital é um estranho mundo, mais estranho do que a época dos «meios de comunicação social», em que as massas tinham acesso a uma informação completamente subsidiada e com o mesmo nível de qualidade - essa é que é a excepção. Sempre houve uma diferença entre a quantidade de informação e de saber que está disponível para os ricos e os pobres, para os que, por motivos profissionais, precisam de saber tudo sobre o resto do mundo e para os que não precisam, para quem tem acesso ao poder e para quem não tem. E acho que em muitos aspectos estamos a regressar a essa época. (...) Vamos supor o seguinte: imagine uma cidade nos EUA de há trinta anos, antes de a Internet se tornar determinante, e imagine que ordenou todos os habitantes da cidade segundo o seu grau de informação, da pessoa mais informada à menos informada, e vai observar o percentil 90 e o percentil 10. É claro que a pessoa posicionada no percentil 90 está muito mais informada do que a pessoa no percentil 10. Essas duas pessoas tinham acesso aos mesmos noticiários; basicamente, viviam no mesmo ambiente informativo e mediático. Quer as pessoas estivessem extremamente interessadas nas notícias, quer não tivessem interesse nenhum, o produto não variava grande coisa, porque não havia muito por onde escolher. Voltamos ao presente: imagine a mesma cidade. A pessoa posicionada no percentil 90 vai ter de pagar as assinaturas online de vários jornais, ou já subscreveu dez newsletters por email, ou tem uma lista de contas fiáveis do Twitter, contas de pessoas inteligentes nas suas áreas de interesse; e a pessoa no percentil 10 estará provavelmente a jogar Candy Crush no telemóvel. O fosso que separa a pessoa muito bem informada da pessoa menos informada, aumentou; e é nesse sentido que há um regresso a uma época pré-massificação, antes de de a publicidade ter permitido a criação dos meios de comunicação de massas. Um dos elementos-chave do velho modelo era o pacote de variadíssima informação que se comprava. Mesmo quem estivesse interessado só numa parte, tinha de comprar tudo; portanto, se o que lhe interessava era saber o resultado do jogo de véspera, tinha de comprar o jornal inteiro, porque era no jornal que estava a informação. (...) Acho que não há maneira de recriar a experiência que foi a comunicação de massas. (...) Há pessoas que preferem a chamada soft news, lêem as notícias das celebridades, estão no Instagram o dia inteiro; há outras que vão exclusivamente à procura das últimas notícias da política e do governo.


Joshua Benton, investigador do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard, entrevistado por Cristina MargatoO irreversível declínio dos media tradicionais, Electra nº4, Dezembro 2018, p.55-57.

As redes sociais e o exacerbamento emocional


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No Facebook pedem-nos uma resposta emotiva: gosto, adoro, isto irrita-me, isto choca-me. São as reacções por emoji que a plataforma propõe. Quando Mark Zuckerberg anunciou mudanças no feed de notícias em Janeiro, disse que o Facebook não valoriza a informação com base na sua utilidade mas sim no número de conversas e interacções que provoca. Quem quiser tirar proveito das vantagens do algoritmo do feed de notícias do Facebook, precisa de ter muita gente a comentar as suas publicações; e se é isso que valoriza a informação em detrimento de outro tipo de conteúdos, estamos, acho eu, a mexer com instintos ancestrais da humanidade. Gostamos de provocar e gostamos que nos provoquem, e não é difícil conseguir ambas as coisas nestas plataformas que criámos.

Joshua Benton, investigador do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard, entrevistado por Cristina MargatoO irreversível declínio dos media tradicionais, Electra nº4, Dezembro 2018, p.52.

Da utopia da democratização de acesso ao "tudo menos informação"


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Acha que no futuro ainda vamos olhar para trás e dizer que o Facebook e as outras redes sociais destruíram a democracia?

Ainda não estou preparado para dizer que se destruiu a democracia. Mas posso dizer isto: comecei a fazer websites em 1994, lembro-me bem dos primeiros tempos da web, e havia muita gente com grandes utopias sobre as consequências de uma democratização da imprensa. No modelo antigo, se queríamos que a mensagem chegasse às pessoas, tínhamos cada um de ter a sua rotativa, ou a sua torre emissora, o que exigia um grande investimento de capital. Por isso apenas um pequeno número de pessoas tinha verdadeiramente acesso ao grande público. Vem a web, que criou esta enorme oportunidade de chegar às pessoas uma informação nova e óptima, e muita gente pensou: «Isto é fabuloso, isto é a democratização da imprensa». Com o tempo, fomos percebendo que, embora tudo isso esteja muito certo, a web criou também em nós a percepção de que, no modelo antigo, havia um grande consumo de informação; não porque as pessoas estivessem interessadas de facto na informação, mas porque francamente não havia escolha. Hoje em dia é frequente que uma pessoa intelectualmente ágil passe o tempo com jogos no telemóvel em vez de ler o jornal. Se as pessoas não querem ficar à espera dos noticiários à hora certa na chamada linear, vão para Netflix e passam lá o dia. Quantas mais oportunidades são criadas, mais pessoas querem tudo menos informação


Joshua Benton, investigador do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard, entrevistado por Cristina Margato, O irreversível declínio dos media tradicionais, Electra nº4, Dezembro 2018, p.51.

Sense of beauty - L'atlante della bellezza




A série "O sentido da Beleza", editada pela Rai 5, é, a meu ver e do que conheço, do melhor que, por esta altura, tem passado nos canais portugueses (no caso, na RTP2, terças-feiras, cerca das 23h30). No vídeo que aqui se partilha, no original italiano (sem legendas), a relação Ocidente/Oriente no que à beleza (e arte) diz respeito é o ponto. Trata-se do segundo episódio da série, do qual se deixa um pequeno apontamento:

Todos somos, à nossa maneira, ptolomaicos, o Sol gira à nossa volta: dêem a um Europeu um mapa e colocará a Europa ao centro, com a China encontrada, à direita, num ângulo inferior. E, sem embargo, já se vê, os chineses, nos seus mapas, têm a China ao centro. 

Observa o narrador: em Itália, tudo é "bello"! Quer dizer, o vocábulo, ou os vocábulos que contendem com a beleza, são omnipresentes no discurso comum, do homem médio italiano. Algo correu bem, foi positivo? "Bello!". A comida estava boa? "Bello!". Para quem vem de um contexto anglo-saxónico, a estranheza é a nota dominante face a esta linguagem. Em Itália, de resto, mora uma cidade ícone de beleza por excelência: Veneza, a cidade europeia mais rica no séc.XIII. O comércio, naturalmente, fundamental a esse respeito. As trocas com o Oriente cedo foram um elemento importante da vida europeia.

O Professor Roberto Terrosi, autor de "Beauty in Orient", estudou, aprofundadamente, a perspectiva asiática de Beleza. É capaz, inclusivamente, segundo este documentário, de ser o único filósofo ocidental a fazê-lo. 
A arte islâmica tem várias fases de desenvolvimento: a) a primeira é relativa ao mundo árabe e ao mundo persa; b) depois, há outra fase, relativa ao mundo otomano. São fases muito diferentes. Na 1ª fase, do mundo medieval, o universo islâmico exporta cultura e arte, influenciando muito a noção de Belo da Europa - algo que vai do amor cortês à arquitectura gótica; a partir do Renascimento, os papéis invertem-se e o Médio Oriente começa a importar a cultura de beleza e a estética do Ocidente; começa a seguir os cânones ocidentais. Veneza e Constantinopla uniam as culturas ocidental e oriental. Quando os turcos tomaram Constantinopla não se viram (auto-compreenderam) apenas como conquistadores (séc.XV), mas quiseram igualar ou suplantar o brilho e o prestígio do Imperador Bizantino. 

Desde o século XVIII, e o Iluminismo, diz Edward Said, autor de Orientalismo, que a cultura ocidental oferece uma visão condescendente da arte árabe, retratando os árabes como inferiores, face a uma cultura ocidental apresentada como racional, flexível, superior.
Orientalismo não é uma corrente pictórica, mas uma nova visão que perpassa um conjunto de artistas europeus, estendida desde o Norte de África, ao Médio Oriente e ao Extremo Oriente. Alguns artistas foram testemunhas directas da realidade oriental, outros partiram de álbuns fotográficos. Os temas orientalistas de finais do séc.XIX eram vários: as odaliscas, cenas da vida quotidiana tais como mercados, banhos turcos e festivais religiosos. As odaliscas são mulheres ocidentais - porque o sultão viu nelas beleza. No Ocidente, a noção de que a mulher bela é burra é um estereótipo de mulher retratado em 1700. No mundo do Oriente Próximo, a mulher deve ser inteligente; isso, simultâneamente, dá medo (aos homens) e atrai. No mundo oriental, a velhice representa um momento (existencial) de poder e respeito. E, por outro lado, quando a beleza desaparece, a mulher torna-se importante, mais até do que antes. A magreza, a Oriente, é vista como algo negativo. Uma pessoa saudável deve ser um pouco rechonchuda. Isto é completamente diferente do padrão ocidental. Aqui, a mulher tem que lutar contra o tempo - que lhe altera o corpo; o modelo ideal de mulher não passa do 42. 

Entre os artistas que fazem a ponte Ocidente-Oriente podemos encontrar Xin Yin. Vive em Paris, mas nasceu no noroeste chinês. Aprendeu a pintar, curiosamente, ao reproduzir os slogans comunistas da revolução cultural. (Re) interpreta obras de velhos mestres como Da Vinci e Boticelli - com um toque oriental (como podemos ver pela/na sua Vénus).
De Ocidente para Oriente, uma antropóloga como primeira mulher ocidental a ser gueixa no Japão. As gueixas são entertainers e anfitriãs. Tradicionalmente, tinham clientes do sexo masculino, mas actualmente também têm clientes do sexo feminino. A tradição da gueixa já remonta há mais de 1200 anos. Literalmente, gueixa significa artista. No caso desta primeira ocidental a receber (em 2007) autorização formal para ser gueixa o nome adoptado foi Sayuki

Na língua japonesa, não há tempo verbal futuro. No Ocidente, o belo é uma filosofia; no Oriente, faz parte do dia-a-dia; o Japão não tem uma reflexão abstracta desenvolvida na estética. Os ocidentais fazem a distinção entre arte e ofício; entre a expressão e a filosofia da Beleza; no Japão, essa distinção não existe. Como explica o Professor Ken-Ichi Sascki, a teoria da arte não existe no Oriente; o conceito de arte não tem ali acomodação. Estritamente falando, (também) não havia conceito de arte no Ocidente até ao sé.XVIII. Havia pintores, arquitectos, músicos, literatura, poesia, mas não havia o conceito de arte. Antítese do mundo platónico, no Oriente as imperfeições não são uma ausência (de Beleza), mas a própria forma da Beleza. 

Tóquio foi construída no início do séc.XVII, obedecendo à ideia de iki - elegante, sofisticado. Critério de beleza chique. Os japoneses adoram o que é giro, adorável, kawaii. Desde a guerra da Coreia (1950) que, na Coreia, a ideia de beleza se alterou significativamente. Os soldados americanos trouxeram filmes de Hollywood e, com a admiração pelas suas estrelas pelo público local, o ideal de beleza mudou. A Coreia do Sul tem o maior número de cirurgias plásticas per capita; é a Meca das cirurgias plásticas. Mais cirurgias faciais nos asiáticos, ante a procura por um corpo modelado, por banda dos ocidentais (que, tradicionalmente, mostravam mais o seu corpo do que os orientais).

[edição Massimo Brega]

Da balcanização da Europa


Macron está à espera há ano e meio. Foi eleito, criando um forte élan europeu, fez quatro discursos sobre a Europa de grande fôlego: na Sorbonne, em Atenas, no Parlamento Europeu e em Aix-la-Chapelle. Tem uma ideia. Não houve resposta alemã. (...) Se Macron não consegue fazer a Europa com quatro discursos, ela [Angela Merkel] também não pode fazê-la só com um gesto generoso ou porque a Alemanha é a economia mais poderosa. E aí faltou-lhe uma visão. Se me perguntassem hoje qual é a visão da Europa de Angela Merkel, eu não saberia responder. (...)
Na Itália, por exemplo, incluindo no interior do Governo, há os que querem mais despesa pública e os que dizem que não querem mais impostos. A Catalunha é uma revolta fiscal disfarçada de reivindicação identitária (...) É isso [a Catalunha não quer partilhar a sua riqueza com o resto da Espanha]. A Bélgica é um pouco a mesma coisa. Na Grã-Bretanha, há a questão escocesa. Acreditámos que a balcanização era um fenómeno apenas do Leste. Hoje temos uma balcanização também a Ocidente. (...) A Europa não está preparada porque, durante demasiado tempo, manteve a convicção de que a relação transatlântica lhe permitia prosseguir a integração europeia sem ter necessidade de se preocupar muito com as questões de natureza geopolítica. (...) Aliás, havia uma visão britânica, que também convinha aos países da Europa de centro-leste, mais ou menos assim: a soberania é nossa; a segurança é dos EUA e da NATO; e a prosperidade é da União Europeia. E agora descobre-se que isto deixou de funcionar. (...) A leste, Putin mantém esta espécie de guerra híbrida na Ucrânia, algo que é visto como uma ameaça, sobretudo pelos países como a Polónia ou os países bálticos, que estão na primeira linha. E há a ameaça a Sul, com a decomposição dos Estados, a guerra, o terrorismo, a imigração. A isto soma-se a incerteza sobre o nosso aliado americano. Se, nestas circunstâncias, os europeus não são capazes de pensar que o seu destino comum deve exigir uma resposta comum, então estão condenados. (...) Seria preciso uma liderança política forte e é precisamente o que nos falta. Não é o problema de a Comissão fazer isto ou aquilo, é o problema da vontade política dos Estados. Estamos perante uma mudança brusca na História - se a Europa escolher sair da História, acabará dominada por um mundo onde contam a China, os EUA e outras grandes potências como a Rússia ou a Índia. Acabará irrelevante. (...) O que idealizámos depois da Guerra Fria acabou. Quem não compreender isto, está condenado. Continuar a dizer que a Europa é apenas a prosperidade que saiu da história é renunciar a tudo. E isso, mais tarde ou mais cedo, conduziria ao apagamento e à fragmentação. Se queremos ter alguma influência, comecemos pelo Leste e pelo Sul. (...) O que é novo nesta situação é que acreditámos que o centro difundia os seus valores e as suas normas para a periferia, incluindo a estabilidade e a democracia. Hoje é o inverso que se verifica. A interpenetração é tal que quase deixou de haver centro e periferia


Jacques Rupnik, Professor de Ciência Política, politólogo da Sciences Po, entrevistado por Teresa de SousaPúblico, P2, 20-01-2019, "Hoje temos uma espécie de balcanização a Ocidente", p.9